quarta-feira, 22 de maio de 2013

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Isso de dizer que o boato é uma mentira,
É verdade!
Quer coisa melhor do que provar
Forjando
Enxergando o que se é 
Não sendo
Só inventando? 

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Viver é um acaso
Morrer, um descaso
Descompasso entre ser e não pedir para ser
E, uma vez sendo,
Como não ter
Jeito de prevalecer...

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UMA VEZ MAIS, O DE SEMPRE...

Sou capaz de afirmar:
Daqui a vinte anos, trinta, duzentos ou quanta soma de gerações futuras quiserem
Estaremos nós fazendo as mesmas coisas
Repetindo os mesmos avisos
Encalacrados nos mesmos becos sem saída
Sorvendo as mesmas esperanças
Tropeçando nas mesmíssimas pedras
Sorrindo os mesmos sorrisos...
Se não nos repetíssemos, não seríamos quem somos
Essa maravilhosa civilização da ladainha viciada
Que toda vez que refere a si própria, não sai do lugar
Antes dando volta em círculos infinitos...

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OBITUÁRIOS EXEMPLARES # O fim do puxador de riquixás vietnamita confundido com um pasteleiro chinês...

O famoso puxador de riquixás vietnamita, em razão de uma impressionante sucessão de erros de cálculo, pegara o voo errado, e, ao invés de aterrissar na província de Won, onde era esperado por um grupo de puxadores de riquixás para tratar dos perigos de extinção desse inglório meio de transporte movido à tração humana, acabou em Sorocaba, depois de ser confundido no aeroporto brasileiro com um famoso pasteleiro chinês, cujos pasteis eram conhecidos em todo o mundo dos fazedores de pasteis por rechear seus pasteis com todo o tipo de iguaria esquisita, desde escorpiões venenosos da Capadócia até lesmas gigantes dos troncos secos da Tasmânia. Assim, ele, pasteleiro chinês famoso que não era, acabou confundido com o tal pasteleiro famoso chinês, o mesmo que recheava seus pasteis com todo tipo de iguaria esquisita, e, recebido com louvor pelos brasileiros que o aguardavam no aeroporto, foi levado prontamente e com pompas e honrarias para o congresso regional dos pasteis de feira livre, evento sediado a cada ano em uma cidade diferente do interior de São Paulo. Convocado a fritar os seus pasteis na apoteose do evento, ele, o puxador de riquixás vietnamita, incapaz de recusar sua habilidade nunca antes treinada, derrubou acidentalmente todo o recipiente de óleo fervente em cima de si, coisa que o levou a morte, vítima de queimaduras gravíssimas. Celebrado como o mártir dos pasteis recheados com todo tipo de iguaria esquisita, ele, o puxador de riquixás vietnamita, tivera seu corpo transportado até o cemitério não puxado por um riquixá, mas em cima de um carro aberto de bombeiros, seguido por toda uma multidão consternada pela morte repentina de um de seus visitantes mais ilustres que até então aportara em solo sorocabano. Uma estátua sua foi erguida numa das principais ruas da cidade, e, como acontece até hoje, todo pasteleiro, de Sorocaba ou não, antes de fritar os seus pasteis, sejam eles recheados com todo tipo de iguaria esquisita ou não, acontece de render uma breve prece pedindo proteção a esse homem que coube por sorte, ou azar, morrer abaixo dos trópicos, e sem poder realizar o seu sonho incompreendido, o de proteger o futuro para lá de inglório dos riquixás, um dos últimos meios de transporte movidos à tração humana... 

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terça-feira, 21 de maio de 2013

FABRICADOR DE MONUMENTOS...

Fabricador de monumentos
É o que esperam que eu seja...
E de monumentos sou eu, pois, fabricante
Mas de um tipo outro de monumento
Diverso daquele que se ergue para durar...
O tipo de monumento que fabrico tem por constância não resistir
Basta pô-lo de pé e pronto
Não demora a cair...
Se um dia ao meu monumento vier visitar
Será só por um momento, nada que seja para habitar
Tampouco eu, que o fiz surgir, dele faria lar...
Sou dessa espécie de construtor
Que, como o ator,
Constrói para ruir
E quando o monumento que fabrico desmorona
Desmorono eu também, o seu fabricante
Levando junto o desejo de, em breve
Um outro fazer surgir, lá adiante...
Não me importo com a eternidade
O que é perene já é muito
E quando não é nada
Já não ligo
Contanto que comigo
Deixe um pouco

De saudade...

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VERSOS, POR QUE?

Perguntar-se o porquê dos versos já é poesia
É viver e ir vivendo
Ainda que a vida
Seja vazia...
E se sentido maior nisso não há
Tanto melhor
Porque rimar é exercício contínuo
Como a vida
Que quando a nós se combina
Ainda que pouco, sobrevive
Numa breve melodia...

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O PORQUÊ DOS VERSOS...

Perguntaram-me o porquê dos versos
Respondi ao inverso:
Por que tu perguntas isso?
Porque a mim interessa, ora essa!
Pois bem, então, não percebes que já estamos a rimar, meu irmão?
Quem rimas é tu, disse-me, eu da poesia não guardo razão
Rimas de novo, amigo querido!
Ora! Vá lamber sabão...
E foi se embora
Só o tempo de voltar e já esbravejar:
Fazer-me de tolo? Comigo não! Pensas que pode troçar da minha pessoa, seu metido a Fernando
Pessoa? Perguntei...
Deixe-me em paz! Tu és desses indignos que vivem a vida a toa!
Até mais então...
Não vou-me ainda não! Antes, diga-me de uma vez por todas: quem tu pensas que és?
Uma pedra no meio do teu caminho, disse
Tu e teus rapapés! Até logo!
Já te vais?
Ficar aqui contemplando teus ais? Me vou, tchau!
Tu também poeta és, nada mal!
Deixe-me seu indigno! Imaginei que fosses meu...
Querido amigo?

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